quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dúvidas e Perguntas

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domingo, 13 de janeiro de 2008

Relações Afetivas e Amorosas




Por que repetimos sempre os mesmos padrões em nossos relacionamentos afetivos ?
Marco Aurélio Mendes


Esta é uma pergunta difícil de responder pois, para entendermos os nossos padrões de comportamentos e sentimentos, temos que rever toda a nossa história pessoal : os momentos de ruptura , perda , de alegria e aqueles momentos únicos , que aos olhos dos outros não tem absolutamente nada de anormal mas que para nós se reveste de importância, marcando a nossa vida. Quando as coisas “travam” e já não agüentamos mais repetir os mesmos movimentos, a psicoterapia pode auxiliar bastante nestes questionamentos, nos ajudando a ter um outro olhar sobre o problema e a entendê-lo a partir do seu significado pessoal para nós.
John Bowlby, em seus estudos sobre o apego, mostrou a importância da relação da mãe com o bebê, não só na regulação instintiva e biológica do indivíduo como também na sua participação dos chamados modelos internos de trabalho. E o que seriam estes modelos ? Em nossas relações com as figuras cuidadoras e com o mundo à nossa volta, vamos formando determinados padrões de apreensão da realidade. O ser humano, desde pequeno, busca consistência em suas emoções e pensamentos. Assim, vamos formando esquemas de como percebemos este mundo. Podemos desenvolver estruturas mentais, ligadas por exemplo, ao Abandono. Digamos que, a criança se sente abandonada pela mãe, ou que percebe que não é prontamente atendida pela mesma. Este esquema de abandono traz uma carga muito negativa para a criança, que pode então buscar se isolar afetivamente (pois passa a acreditar que as figuras de que gosta não poderão lhe dar atenção) ou então se apega excessivamente a qualquer pessoa, com medo de perder o contato afetivo ou de ser rejeitada. O significado e a forma que cada pessoa vai dar a sua história é única e, desta maneira, nosso comportamento e maneira de se expressar afetivamente está muito ligada às experiências infantis.
Muitas vezes, o que percebemos na experiência terapêutica, é que acabamos por repetir estes padrões. Na verdade, eles fazem parte da maneira que aprendemos a estar no mundo e até mesmo da nossa identidade. Uma mulher que não se sentiu amada pelos pais, pode ser uma pessoa excessivamente ciumenta ou possessiva, em relação ao seu parceiro pois acaba vendo nele a oportunidade de preencher esta lacuna em sua vida afetiva. Isto pode fazer com que a relação se dê, não em função de um encontro genuíno entre duas pessoas e sim de uma busca neurótica pela solução deste conflito interno.
Quando conseguimos dentro do processo terapêutico, observar a complexa relação entre o presente, o passado e o futuro de nossa vida , podemos nos preparar finalmente para mudar o que nos incomoda e lutar por aquilo que acreditamos que irá nos fazer felizes de verdade.